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Educação socioemocional: uma tarefa para ontem

Esse tipo de educação é visto como um pilar nas sociedades modernas e em países desenvolvidos, mas será que no Brasil acontece o mesmo? Entenda mais sobre a educação socioemocional e quão importante esses ensinamentos são na sociedade em que vivemos e visando transformar o mundo onde viveremos. Afinal, você sabe o que é a educação socioemocional?




O conceito de educação socioemocional


Para começar esta reflexão, é importante entender melhor o que exatamente é o conceito de educação socioemocional e o que significa para vermos a partir de então, como isso pode mudar o mundo, as formas que os professores e escolas podem aplicar os métodos na vida de seus alunos e por que é uma forma de ensino que deveria estar sendo aplicada há muito tempo.


A educação socioemocional é o processo em que os alunos aprendem a refletir e aplicar conhecimentos, atitudes e competências necessárias ao longo da vida escolar na prática e dentro do currículo escolar. Por meio das atividades propostas, busca-se educar os corações e inspirar mentes, criando e desenvolvendo projetos que contribuam para as transformações destes alunos e, é claro, do mundo ao seu redor.


É imprescindível para criar os ideais de cidadão e sociedade conscientes de si e de seu entorno. Mas para um bom resultado, o método de ensino precisa estar alinhado com as demandas da educação, sejam elas globais ou locais, seguindo sempre orientações e pesquisas conclusivas a respeito do tema.


O conteúdo está presente em diversas competências da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), tendo como base cinco princípios:



1. Autoconhecimento: a capacidade de reconhecer com precisão as próprias emoções, pensamentos, valores e como eles influenciam o comportamento. Desta maneira, tanto a pessoa quanto os educadores podem fazer uma avaliação mais precisa e entender os pontos fortes e fracos do indivíduo;


2. Autorregulação: é a capacidade de regular de forma bem-sucedida as próprias emoções, os comportamentos e principalmente os pensamentos em variadas situações, administrando com eficácia o estresse, controlando os impulsos e motivando a si mesmo. Com esta capacidade, fica mais fácil trabalhar os diversos objetivos, sejam eles pessoais, acadêmicos ou, futuramente, profissionais;


3. Consciência social: a capacidade de poder trabalhar com cooperação e empatia em relação aos outros para lidar com as diferenças. É assim que se forma melhores cidadãos, capazes de lidar com as diferenças, sempre aplicando conceitos de ética e respeito ao próximo;


4. Habilidades de relacionamento: muito importante no desenvolvimento da criança como cidadã, é a capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis e gratificantes com diversos indivíduos e grupos. Promove as condições de se comunicar claramente, ouvir bem, cooperar com os outros, resistir às pressões da sociedade, negociar conflitos e procurar oferecer ajuda quando necessário;


5. Tomada de decisão responsável: uma capacidade que forma boas pessoas e ótimos profissionais, ensinando o jovem a fazer escolhas construtivas a partir do comportamento pessoal e de suas interações sociais com base nos padrões éticos, preocupações com sua própria segurança e a de terceiros, além de normas sociais. Com esta competência, a criança cresce aprendendo a antever melhor o que de ruim poderá acontecer e o que de bom também poderá escolher caso decida tomar um caminho ou outro.



Todos esses princípios são alguns dos pilares da BNCC, então é imprescindível que o educador e a escola atualizados saibam aplicar os conceitos em sala de aula, pois a partir deste ano, será obrigatório que as escolas de todo o Brasil incluam as competências da Base Nacional em seus currículos. Com isso, diversas instituições de ensino terão de mudar vários métodos utilizados no processo de aprendizagem de seus estudantes. Desde a educação infantil até a faculdade, é muito importante prezar pela educação socioemocional dos alunos, pois assim eles crescerão no âmbito pessoal como cidadãos conscientes de si e do todo. Consequentemente, eles também irão evoluir profissionalmente, desenvolvendo jogo de cintura e habilidades para lidar com os problemas do dia a dia do trabalho.



Os impactos da educação socioemocional na sociedade


Como já dito, esse método de educação forma futuros adultos conscientes do que acontece com eles próprios e com os outros. As noções de sociedade são bem mais abordadas com a aplicação da educação socioemocional do que no ensino tradicional e cada dia mais individualista e obsoleto.


Com o investimento em uma educação mais abrangente e realista, que vai de acordo com as demandas da sociedade, os líderes do futuro serão mais conscientes. Claro, apenas uma pequena parcela torna-se líder em algum lugar, mas esse tipo de educação também serve para formar um conjunto de pessoas totalmente conscientes, aptas a solucionar problemas e principalmente cientes do que acontece em suas mentes e na área emocional, algo que vem sendo cada vez mais um problema.


Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os casos de depressão aumentaram 18% em todo o mundo entre 2005 e 2015. Com isso, ficou nítida a necessidade de desenvolver desde cedo a consciência dos sentimentos e mostrar que não há problema em sentir e demonstrar o que sente. Tendo em vista que 4,4% da população mundial sofria de depressão na época da pesquisa, publicada em 2017 - e muitas outras pessoas podem estar prestes a entrar neste quadro de distúrbio, assim como em outros, como a ansiedade -, fica nítida a necessidade imediata de adequar todas as pessoas ao ritmo acelerado do mundo em que vivemos.


A tecnologia e a instantaneidade, bem como a velocidade, das informações transmitidas evoluem a cada dia, mas o cérebro humano permanece sendo o mesmo há milhares de anos. Desta maneira, é esperado que haja uma dificuldade em lidar com o avanço da humanidade na área da informação, havendo os problemas relacionados à ansiedade, à depressão e a diversos outros distúrbios.


Assim, entra na jogada a educação socioemocional para que a criança aprenda desde cedo a lidar com seus sentimentos, superar adversidades e trabalhar em conjunto, sem medo das pessoas. A colaboração e a empatia, conceitos já mencionados como fundamentais neste conteúdo, são imprescindíveis no combate a esses distúrbios. Contar com um ombro amigo é sempre importante, mas ser seu próprio ombro amigo é algo extremamente enriquecedor no âmbito pessoal e até mesmo profissional. A criança aprende a ser mais autossuficiente e consequentemente, desenvolve um senso de independência maior e uma enorme capacidade de viver as diversas possibilidades da vida.


O compromisso com a educação integral


O conceito de escola integral que você provavelmente pensou é o de período integral, correto? No caso da educação socioemocional, essa palavrinha tem outro significado, e também não é barra de cereal ou pão.


O integral deste modelo de aprendizagem é a aplicação dos conceitos aprendidos em sala de aula do lado de fora dela. Como mencionado, aprender a lidar com os problemas, gerir conflitos e aprender mais sobre si mesmo e suas emoções são ensinamentos para a evolução do indivíduo e da sociedade. Ou seja, é um aprendizado constante, a sementinha plantada dentro da escola que irá germinar e virar uma grande árvore com galhos para todos os cantos do mundo, até se juntar com outras árvores e transformar o planeta em uma bela e densa floresta.


Um pouco poético demais? Talvez. Mas o ponto aqui é que a educação socioemocional é mais do que o conteúdo absorvido dentro de quatro paredes e aplicado em uma prova de vestibular para ser esquecido depois. Tudo que se aprende em sala de aula no âmbito socioemocional é constantemente desenvolvido, seja no trabalho, nos conflitos familiares, nos momentos difíceis emocionalmente. É um aprendizado duradouro e para a vida toda, sendo incentivado nos primeiros anos, ainda na escola, e continuando a ser desenvolvido por toda a vida da pessoa.


Existe uma ampla amostragem da transformação positiva que a valorização do professor aliada à aprendizagem socioemocional traz à sociedade. Cingapura, na Finlândia e no Japão, por exemplo, estão no top 10 do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) devido às habilidades socioemocionais desenvolvidas por seus alunos nas escolas. Essas nações investiram em dois pontos: a valorização da carreira de professor, com sistemas organizados e políticas públicas que dão atrativos financeiros e um excelente ambiente de trabalho aos profissionais, além do incentivo às disciplinas socioemocionais, formando alunos com inteligência emocional, uma aptidão não muito desenvolvida no Brasil por enquanto.


O Japão, exemplo de desenvolvimento, reduziu em 30% seu currículo de disciplinas cognitivas – muito presentes no ensino tradicional – para incluir outras que tratem mais de competências socioemocionais. Assim, o aluno trabalha mais o foco, a cooperação e a resiliência, superando mais facilmente desilusões e decepções, presentes na vida de todo ser humano na jornada pela Terra. Os alunos japoneses aprendem desde cedo, ainda na educação infantil, estudos do ambiente biológico, arte, música, artesanato e serviços domésticos. Um pouco mais velhos, no ensino fundamental, aprendem inglês, saúde, educação moral, artes industriais, além de diversas outras disciplinas voltadas para as inteligências emocional e social.


A educação socioemocional é boa para o indivíduo, sua família, seus amigos, seus conhecidos, os amigos dos amigos, os colegas de trabalho, o motorista do ônibus, o chefe da multinacional, o lavrador que está lá no Japão, a cantora de sucesso norte-americana. Enfim, é bom para todo mundo, seja a pessoa ou o coletivo, pois forma uma sociedade mais sensata e consciente, afetando positivamente a todos.

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