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O estudante é protagonista com a educação criativa

Protagonismo. Essa é a palavra mais importante na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Com os novos tópicos a serem seguidos pelas escolas na formação curricular de seus estudantes, muitos educadores se perguntam como cumprir todas as exigências e oferecer um ensino de qualidade. O principal conceito é transformar o aluno em protagonista de seu próprio processo de aprendizagem.


 

Desconstrua o conceito de escola passiva


Os locais como escolas, liceus, etc. sempre foram vistos como pontos em que se aplicava rigidez. Com o aluno – no latim, “a” significa “sem” e “luno”, que deriva de “lumni”, quer dizer “luz”, ou seja, “sem luz” – sendo um ser passivo, o processo de aprendizagem tornava-se algo maçante. Pode ser difícil encontrar pessoas dispostas a absorver conhecimento de fora para dentro, em silêncio, sem a mão na massa, não enxergando as aplicações práticas dos conceitos.


Os últimos anos fizeram com que as escolas mudassem a forma de pensar e funcionar. Agora, a ideia é fazer os ensinamentos virem de dentro do estudante para fora, e não mais o contrário. Como tudo que exige poder de persuasão para prender a atenção, a escola precisa ser extremamente atrativa. Laboratórios, cores, quadras poliesportivas, professores com milhares de diplomas e liberdade: a escola foi desconstruída, visando atrair mais os alunos e, consequentemente, a confiança de seus responsáveis, que esperam preparar seus filhos para o mundo (e para o vestibular).


A sociedade mudou. Sendo assim, o local onde as pessoas aprendem coisas para a vida também precisou ser reformulado. Os pais que antes procuravam projetos de quartéis militares, com direito à palmatória e a diversos castigos, hoje buscam um ambiente no qual os filhos sintam-se à vontade, livres para pensar, agir e ser, mas quase sempre com um foco mais distante: o ingresso em uma boa universidade, em um bom curso.


A ideia é que as escolas deixem de ser locais tão hostis e vistos negativamente por muitos jovens, tornando-se lugares que guardam boas memórias, experiências e sentimentos. Afinal, é na escola que a garotada vai se descobrindo e encaixando na sociedade, porque é um resumo do mundo em que vivemos, como a maquete de uma cidade.


Não mais se ensina com rigidez, isso não é mais aceito. As redes sociais, que são grandes inimigos dos professores durante as aulas – mas podem ser pensadas para auxiliar os educadores no processo de ligação com os alunos -, servem para compartilhamento de pensamentos, experiências e afins. Em uma escola extremamente rígida e inflexível, não batendo com o que o mundo pede no presente, muitas críticas instantâneas surgirão, especialmente com os responsáveis pelos jovens cada vez mais protetores.


A desconfiança do mundo é grande, o que motiva os pais a constantemente questionarem e duvidarem das escolas. Até porque, a esperança deles é depositada ali em forma de investimento no filho ou na filha, e eles querem resultados, mas também não querem estressar em demasia suas crianças. Ao mesmo tempo que é necessário certo rigor para a criação de bons cidadãos, existe um limite, uma linha que não se deve passar, pois pode ser mal interpretado ou prejudicar a atração do aluno pelo conteúdo. Além disso, o mundo não aceitará mais estudantes passivos, que apenas ouvem em silêncio, enquanto são bombardeados por conteúdo, e não têm voz alguma no processo de aprendizagem a que são submetidos.


Os professores, desta maneira, precisaram repensar a forma de dar aula. Como competir com os celulares? Como tornar tudo mais interessante? De que forma os alunos irão aprender e aproveitar a jornada que talvez seja a mais importante de suas vidas? Qual a maneira mais adequada para formar os melhores e mais qualificados cidadãos?



“Charles, o mundo não é mais o mesmo”


A famosa frase do super-herói Wolverine (interpretado por Hugh Jackman), dita para o personagem Charles Xavier, se aplica muito aqui. O mundo mudou, as tecnologias mudaram, as demandas não são mais as mesmas e a velocidade com que o mundo gira – metaforicamente – aumentou muito. O professor moderno precisa estar antenado e criar uma ligação com os alunos.


Com a aprovação da BNCC, as escolas terão de seguir cada vez mais parâmetros que transformam a educação dos jovens em algo ativo. De humanos sem voz alguma na sociedade há algumas décadas, as crianças e adolescentes tornaram-se um dos segmentos mais visados da população mundial no mundo capitalista. A capacidade de influenciar dessas faixas etárias aumentou muito e, consequentemente, o poder aquisitivo.


Tendo crescido a importância social e financeira dos jovens, a passividade do ensino parou de ser aceita. Imagine uma aula monótona, um monólogo de uma hora e meia sobre matemática, história ou química. Agora, pense em jovens com idades entre 13 e 17 anos, com os hormônios à flor da pele, celulares com acesso à internet, diversos assuntos para conversar e amontoados em uma sala de aula fechada. É praticamente impossível manter esses estudantes atentos durante toda a jornada da aula e competir com as redes sociais.



Portanto, a forma encontrada para que os jovens sintam-se mais responsáveis por seu aprendizado foi aplicar metodologias ativas de ensino – quando eles mesmos são responsáveis pelo que aprendem - em uma educação criativa, com diversas formas de aprender, incluindo muita prática e aplicação de conceitos na “vida real”. Assim, o aluno passa a ter sua luz, vendo como as coisas funcionam com a mão na massa, e cria um senso de responsabilidade similar ao de alguém que está no mercado de trabalho e é responsável pelo que produz.



Como trabalhar as exigências da BNCC


São diversas as exigências da BNCC. Por isso, uma escola atraente para seus alunos precisa saber trabalhar com todas elas. Conceitos como sala de aula invertida – o estudante não absorve o conteúdo e depois vai fazer sua lição de casa, mas sim o contrário: primeiro, tenta compreender sem auxílio para, depois, discutir em sala de aula -, storytelling – a contação de histórias, como exemplificada pela professora Mariana Luque, entrevistada para a matéria “Pouca verba e muita criatividade: o século XXI é dos professores makers”, que pode ser encontrada em nosso blog pelo link Pouca verba e muita criatividade: o século XXI é dos professores makers – ou a gamificação – utilização de jogos ou outras formas de desafio aos estudantes, de forma a testar seus conhecimentos.



São 10 as exigências da BNCC. Todas são imprescindíveis, mas possíveis de cumprir, basta criatividade e imaginação. O conhecimento, claro, é fundamental. Conhecer e ensinar sobre o mundo, em suas diversas esferas (desde social, até digital), visando explicar a realidade, para que o aprendiz possa, no futuro, tomar as melhores escolhas e contribuir para a sociedade. Uma população de pessoas indecisas jamais fará a humanidade progredir. Contar com os avanços da tecnologia em sala de aula, apresentar dilemas e compartilhar experiências e histórias de vida com os alunos é uma forma de criar uma ligação e, consequentemente, ensinar aos jovens pontos importantes cobrados na Base Nacional Comum Curricular.



Além disso, estimular o pensamento científico, crítico e criativo é necessário. Em tempos de pandemia, a ciência se mostra mais importante do que nunca, seja para estudar as causas do surgimento e da transmissão do coronavírus ou para a criação de uma vacina. Estimular o pensamento crítico e científico cria cidadãos não alienados. Se somado à criatividade, colabora e muito no avanço da espécie humana. Trazer problemas que exijam pesquisa para que sejam solucionados é uma ótima opção para estimular esta exigência.



Repertório cultural e comunicação, quando desenvolvidos, mostram pessoas preparadas para a vida. O jogo de cintura, tão necessário na vida, surge com a soma dos dois itens. Um leva ao outro: um bom repertório desenvolve uma pessoa comunicativa, que consegue manter contato com diferentes pessoas, em diferentes situações. O uso de diferentes linguagens, aliado à apresentação de filmes, livros e afins, com o intuito de realizar um debate sobre o tema abordado, é uma maneira de abordar as duas exigências da BNCC



Exigências essas que não param por aí. A cultura digital e o contato com as diferentes plataformas precisam ser abordadas em sala de aula. O aluno que aprende a mexer com diversas tecnologias sai preparado para a vida, independente da área que escolha atuar. Opte pela utilização dos celulares, computadores ou até mesmo apresentações de slides feitas pelos próprios estudantes. Os celulares podem não mais serem vistos como inimigos, tornando-se aliados.



Trabalho e projeto de vida formam cidadãos para o futuro. Algo muito criticado no modelo de escola antigo é que se formava pessoas que não possuíam conhecimento sobre o mercado de trabalho via escola. Apenas conteúdo bruto e frio, sem que fosse enxergada uma aplicação. Com a nova exigência, o professor moderno precisa mostrar ao aluno temas sobre o mercado de trabalho, trazendo dilemas para que os alunos avaliem e tomem decisões a partir do desenvolvimento de pensamentos críticos.



Com o bombardeio de informações e discussões proporcionado pelas redes sociais, a argumentação nunca foi tão importante. Saber sair de situações desconfortáveis utilizando argumentos cria grandes profissionais e cidadãos. Projetos que exigem debate, como a simulação de uma convenção da ONU, na qual cada estudante representa os interesses de um país, ajuda muito no desenvolvimento da argumentação.



O autoconhecimento e autocuidado são muito importantes também, pois ajuda a formar uma sociedade mais saudável, que aprende, junto das outras habilidades desenvolvidas, a verbalizar o que incomoda, o que precisa ser mudado, o que não está bom ou o que está bom. Se conhecer é a melhor forma de lidar com problemas – especialmente num mundo cada vez mais ansiogênico – e existem várias formas de fazer isto, como relacionar os sentimentos e as atitudes, ensinando educação emocional.



Por fim, a empatia e a cooperação, somadas à cidadania e à responsabilidade, fecham as exigências da BNCC que um professor dos dias atuais precisa saber como ensinar. Apresentar a importância da ajuda ao próximo e dos direitos humanos forma jovens conscientes quanto a esses assuntos. Mostrar o ponto de vista do outro é sempre fundamental. Além disso, trazer problemas do mundo atual para que os estudantes busquem soluções saudáveis pode ser de grande ajuda no cumprimento dessas exigências.



Ser um professor atualizado, que coloca a mão na massa e faz os estudantes aprenderem os conteúdos de forma criativa, inovadora e dando autonomia e protagonismo a eles, é um desafio. Com os cursos de Cultura Maker & Aprendizagem Criativa do OndeAprendo, é possível descobrir maneiras de transformar o ensino, aplicando diversão e prática nos assuntos debatidos em sala de aula, transformando os alunos em responsáveis pelo processo de aprendizagem, deixando o ensino mais atraente.



Para saber mais sobre a BNCC, acesse http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. O mundo exige profissionais que saiam do convencional e tenham jogo de cintura. Você tem o que é preciso?

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