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Pouca verba e muita criatividade: o século XXI é dos professores makers

Criatividade. Este é o elemento essencial para quem deseja tornar-se um professor maker. Pouca verba não é motivo para não investir no modelo de ensino criativo. A cultura maker, que vem crescendo nos últimos anos, preza justamente pela muita criatividade com pouco dinheiro.




A criatividade não é exigida apenas na escola


A cada dia, mais empresas querem pessoas criativas. A cultura maker já chegou inclusive nos ambientes normalmente mais sóbrios: as corporações. Os grandes escritórios, empresas e multinacionais ganham em dinamismo, cooperação e curiosidade. Os funcionários ganham em felicidade e aumento da criatividade. A cultura maker já é aproveitada no ambiente de trabalho, transformando o longo e maçante cotidiano em diversas atividades práticas e melhor direcionadas. Devido ao processo de fazer, tal cultura transforma colegas de trabalho em verdadeiros amigos, fazendo com que as pessoas se conectem para que haja o melhor resultado possível.


Empresas encorajam os funcionários a tentarem as soluções na prática. Eles trabalham na solução e, quando vem o acerto, há economia de tempo e dinheiro. Além de fazer na prática, há um compartilhamento de experiências que aumenta as chances de um resultado positivo, beneficiando a todos.


A cultura maker no ensino


Se a cultura maker já está sendo requisitada no mercado de trabalho, na escola, que é a preparação para esse mundo, não é diferente. Como mencionado, os programas que investem em conteúdo maker fazem grande sucesso na televisão, especialmente entre as crianças. As escolas, então, passaram a olhar com bons olhos para a cultura da mão na massa. Atividades desse tipo podem ser realizadas em diversas áreas, como robótica (a principal delas), artesanato, beleza, decoração etc. Além disso, desenvolvem habilidades essenciais nos cidadãos que guiarão a humanidade no futuro, como liderança, resolução de problemas – algo sempre muito requisitado -, proatividade e, claro, criatividade.


O professor maker precisa estar antenado e ter criatividade de sobra para transmitir aos alunos. Com pouco, pode se fazer muito. O profissional precisa estar sempre atento e disposto a adaptar-se, porque muitas escolas já estão investindo em tecnologias de ponta, como até mesmo realidade virtual. É fácil tornar-se obsoleto nos dias atuais. Sendo assim, a forma de nunca estar ultrapassado é ser um eterno aluno. Para ensinar, é necessário aprender, e o professor está em constante processo de aprendizagem. Na internet, é possível entender melhor como funciona a mente dos jovens que estão chegando agora, com diversas plataformas que proporcionam vídeo-aulas sobre os assuntos mais atuais.


Não há mais espaço para professores quadrados e inflexíveis. Nos tempos atuais, é extremamente necessário ser colaborativo e entender as diferentes formas de ensinar. Trabalhos em grupo são ótimas alternativas para melhorar o desempenho e o nível de aprendizagem dos alunos em sala de aula, sempre buscando trazer problemas que exigem criatividade. Com uma geração que nasceu com os olhos na tela do smartphone, é uma alternativa interessante encorajar os alunos a usarem seus aparelhos de forma educativa, seja criando aplicativos ou jogos. Isso aproxima os alunos do professor, especialmente em tempos de pandemia, em que o ensino ficou totalmente a distância e nunca foi tão necessário ser criativo e saber se virar com pouco, especialmente aproveitando para criar vídeos.


A professora de música Mariana Luque, de 26 anos, é um exemplo de como a tecnologia pode ser aproveitada e combinada à criatividade com pouco. Ela passou a criar vídeos para seus alunos – crianças do 1º ao 5º ano do ensino fundamental – durante a pandemia. Neles, a professora conta histórias com o auxílio da música, desenvolvendo o senso artístico dos alunos, e precisa do máximo de criatividade possível. “Até mesmo meu gato já foi um personagem”, revelou Mariana, que precisou se reinventar durante a quarentena. Os feedbacks dos pais das crianças foram positivos: “as crianças se identificaram com os vídeos, recheados com fotografias e vídeos bastante divertidos do momento da história”.



A profissional, que utilizou, além de seu animal de estimação, o celular para gravar e brinquedos antigos, velas, palitos de fósforo, luminárias e muitos tecidos para produzir os vídeos, afirmou que algo sempre presente é o som. “Sempre conto com o violão, a voz e outros instrumentos musicais criados a partir do som de outros objetos”. Ela acredita que esse tipo de mudança na forma de passar conteúdo aos alunos será reaproveitada quando as aulas presenciais voltarem. “A maioria dos planejamentos de volta às aulas inclui educação híbrida. A composição de vídeos pode ser uma importante ferramenta para a criação de videotecas com temáticas variadas para que os professores acessem e tenham liberdade de acompanhar as ideias uns dos outros”, encerrou.


A tecnologia pode ser aplicada na comunicação também. Com os aplicativos de videochamada, tudo fica mais próximo. A globalização trouxe essa proximidade, mesmo que não física, e o professor maker precisa saber utilizá-la. Com ferramentas como o Skype, o Discord e até mesmo a chamada por WhatsApp, é possível compartilhar conhecimentos de diversas áreas aos alunos, através de profissionais que podem estar do outro lado do planeta. O isolamento social evidenciou a necessidade dessas tecnologias no cotidiano do ser humano contemporâneo. Tudo isso pode ser aproveitado em sala de aula. O professor maker inova, cria, utiliza as mais variadas e improváveis ferramentas. Jogo de cintura é imprescindível. Aulas com computadores ou smartphones são o presente. Um profissional criativo mostra aos alunos vídeos, depoimentos de especialistas na área desejada e, inclusive, conta com a ajuda dos aplicativos e jogos dos aparelhos que ficam na palma da mão. Em vez de proibir os smartphones, encoraje a utilização deles, desde que no período permitido e para a finalidade educacional.


A autocrítica é outro ponto essencial. De nada vale acreditar que não é falível, pois todos falham e podem melhorar. Refletir sobre o que ocorreu na aula é fundamental, sempre pensando em como crescer. Como um atleta sedento por conquistas, um professor moderno deve ter em mente que sempre há como aumentar seu rendimento. O momento de reflexão também serve para filtrar informações e itens que, caso cheguem à sala de aula, podem ser prejudiciais aos alunos. Além disso, o professor do século XXI precisa saber interagir com os jovens. Alunos gostam de comparações, metáforas e histórias que transformam a matéria passada – comumente vista como algo chato pela maioria – em uma situação corriqueira. Tornar a matéria interessante aos olhos do aprendiz é fundamental para manter uma conexão e uma boa comunicação.



Expectativas para o futuro


Que a cultura maker chegou para ficar, seja nas escolas, empresas ou programas de televisão, é fato. A velocidade com que ela tomará as escolas, no entanto, pode ter influência pela pandemia do novo coronavírus. Devido ao distanciamento social, muitas instituições de ensino tiveram de reinventar-se para que o conteúdo chegasse a seus alunos.


Com toda essa mudança – por enquanto, temporária – no padrão de ensino, com certeza algo pode ser aproveitado. Os profissionais da educação conheceram novas plataformas (como o Google Classroom) e podem aliar, quando o mundo voltar ao normal, conhecimentos transmitidos presencialmente com alternativas online, seja para a organização e planejamento do que será visto em determinada matéria, ou para atividades diretamente ligadas à aula.


Não há mais espaço para professores obsoletos. O mundo está cada vez mais rápido, exigindo a necessidade constante de colocar a mão na massa. O professor maker precisa ser antenado, flexível, empático, inovador e, principalmente criativo.

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