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Cultura maker e aprendizagem

A cultura maker propõe o desenvolvimento e construção de projetos e objetos a partir de materiais simples e baratos ou aliados à tecnologia. Colocar a mão na massa e criar produtos é a essência deste movimento, além da liberdade de poder inventar coisas novas a partir de ideias próprias.





Raízes da cultura maker e sua expansão


Surgida a partir do movimento punk – com o famoso “Do It Yourself”, ou em português “Faça Você Mesmo”, representado pela personalização de jaquetas de couro ou jeans – no final dos anos 60, a cultura maker tem um toque a mais de criatividade e um viés mais educativo, com áreas de ciências, tecnologia, arte e matemática unidas. Porém, para muitos, não passa de utopia e coisa de televisão. Muitas crianças da geração nascida em anos próximos à última virada de milênio cresceram assistindo programas de televisão que justamente traziam a cultura maker para as casas brasileiras – e estrangeiras. Um dos principais exemplos para essa geração é o programa televisivo “Art Attack”, originalmente britânico, mas que ganhou uma versão de sucesso no Brasil, em 2000. No programa infantil, o apresentador ensinava como fazer arte com muito pouco. Lixos, garrafas PET, cabos de vassoura. Todos esses itens eram utilizados e as crianças eram encorajadas a usá-los, dando novo sentido ao que normalmente seria jogado fora.


Outro programa com uma ideia similar também fez – e ainda faz – sucesso. Trata-se de “Mister Maker”, que inclusive leva o nome da cultura de ensino criativo. No programa australiano/britânico, o apresentador também ensina o passo-a-passo de como criar arte e até mesmo brinquedos com coisas simples como macarrão cru, caixas de ovos e afins, incentivando a arte, o raciocínio, a habilidade motora e a capacidade de criar com itens vistos como descartáveis. A geração nascida próxima ao ano 2000 cresceu com diversos programas do gênero, todos sempre fazendo muito sucesso no Brasil e fora do país. Estimulando a criatividade dos pequenos e até mesmo de adultos, esses programas educativos foram importantes disseminadores da cultura maker.


Com ideias sempre criativas e fáceis de reproduzir, os programas influenciaram uma geração e, consequentemente, trouxeram novas ideias às escolas. A arte pode ser feita como diversão, mas também pode (e deve) ensinar valores importantes e transmitir conhecimentos imprescindíveis, além de servir como válvula de escape para os problemas do cotidiano, especialmente no mundo acelerado de hoje em dia.


Mas não somente a televisão foi pioneira na cultura maker. Em janeiro de 2005, o estadunidense Dale Dougherty, co-fundador da O’Reilly Media, criou a revista “Make Magazine”, com tiragem de 100 mil exemplares por mês nos Estados Unidos, e as Maker Faires, feiras anuais para encontro de makers e exposição das criações. Ambas foram marcos na história do movimento e popularizaram o termo “maker”.


Conceito de cultura maker


Com sua evolução e disseminação, o movimento maker passou a ser considerado algo maior, que poderia ser implementado no dia a dia, como uma cultura. Para Dougherty, o movimento é um tipo de Renascença – período entre os séculos XIV e XVI na Europa, marcado pelos novos tipos de arte e cultura, além da transição do feudalismo para o capitalismo. Segundo Dale, “a vontade de criar existe em todos os seres humanos e ultrapassa qualquer talento”. Ele acredita que a estrutura da cultura maker são as pessoas, ou justamente, os “makers”.


A cultura maker propõe o desenvolvimento e construção de projetos e objetos a partir de materiais simples e baratos ou aliados à tecnologia. Colocar a mão na massa e criar produtos é a essência deste movimento, além da liberdade de poder inventar coisas novas a partir de ideias próprias. As áreas envolvidas na cultura maker são as ciências, a tecnologia, a arte e a matemática, que juntas são parte do processo de produção de robôs, softwares, ferramentas de estudo, jogos e outros materiais.


O verbo inglês “to make” significa, em português, “fazer”. Portanto, ser um maker nada mais é que ser um “fazedor”. Quem faz, cria, necessita saber improvisar e criar com pouco. Os makers estão nas escolas, nas corporações e até mesmo nos lixões. O filme “Lixo Extraordinário” é uma ótima sugestão para quem planeja tornar-se um maker. O documentário brasileiro de 2010 mostra o processo envolvendo o artista plástico Vik Muniz e catadores de material reciclável de um dos maiores aterros sanitários do planeta, localizado no Jardim Gramacho, em Duque de Caxias.


O filme, indicado ao Oscar em 2011 como melhor documentário, mostra a produção de obras de arte de Muniz com os catadores de materiais e as mudanças que essas artes trouxeram ao local e aos catadores, que passaram a ter novas visões de vida e mundo. É um ótimo exemplo do que a criatividade é capaz de proporcionar, mesmo que com quase nada, ou “apenas” lixo. Mesmo sem formação, os trabalhadores do local mostraram ser possível inovar com absolutamente qualquer tipo de material à disposição.


 

Prática da mão na massa


A cultura maker aborda diferentes nichos e, a partir dela, você pode realizar sua produção própria de objetos em várias áreas como: artesanato, sustentabilidade, beleza, decoração e principalmente robótica e tecnologia.


Existem vários projetos que podem ser criados por crianças e adolescentes como forma de exercitar a cultura maker e que não precisam ser caros e tecnológicos, como ficou evidenciado no exemplo do documentário. É possível desafiar os alunos a fazerem jogos simples, como os de tabuleiro, e usar materiais recicláveis para incentivar o consumo consciente e a sustentabilidade, além da própria reciclagem, pois muitos brasileiros não sabem quais materiais podem ser reaproveitados. Segundo pesquisa Ibope, apenas 40% das pessoas entrevistadas sabem que garrafas PET são recicláveis e incríveis 5% sabem que embalagens longa vida também são.


A cultura maker pode ser de grande ajuda ao meio ambiente e a outras áreas. Além disso, o ato de colocar a mão na massa tem muitas possibilidades de aplicação no dia a dia e facilita a vida cotidiana. A cultura maker pode ser aplicada em ambientes corporativos e educacionais, uma vez que proporciona novos conhecimentos teóricos e práticos e ainda, colabora para o desenvolvimento de habilidades como resolução de problemas, criatividade, colaboração, proatividade e liderança.



Educação maker


Há poucos anos, a cultura maker foi introduzida na educação brasileira com o intuito de melhorar o ensino, propor aprendizagens ativas e significativas, além de despertar nos alunos a vontade de criar e aprender fazendo.


Em 2018, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) apresentou informações do desempenho escolar no Brasil. Os dados mostram que 68,1% dos estudantes não têm conhecimento básico em matemática e 55% em ciências. Uma das causas do baixo rendimento em tais áreas é a falta de interesse dos alunos atrelada à forma com que elas são ensinadas. Por isso, a utilização abordagem maker é importante para trazer novas maneiras de ensino e aprendizagem que provoquem melhores resultados e auxiliem no crescimento da educação brasileira.


A educação maker, ou ensino mão na massa, ainda não está presente na maioria das escolas, mas a cada dia ganha mais espaço e valorização. A adoção da cultura maker na aprendizagem foi muito importante para ressignificar o papel do professor e dos alunos, já que o educador passa do papel de responsável por transmitir teorias para o de mentor, que auxilia, incentiva, é flexível, moderno e demonstra empatia, enquanto os alunos se tornam protagonistas do próprio conhecimento.



Os makerspaces


Para que a aprendizagem mão na massa aconteça, são usados espaços apropriados para o desenvolvimento de projetos, conhecidos como makerspacers ou espaços maker. Para Dougherty, “Um makerspace pode ser visto como uma combinação de oficina mecânica, estúdio de arte e laboratório de computação, mas é fundamental encará-lo como um espaço de trabalho, não um local para só passar o tempo. Podem ter impressoras 3D, cortadoras a laser, mesas de marcenaria, máquinas de costura”. Ele também pensa no espaço voltado para as crianças. “o makerspace poderia ser simplesmente uma sala vazia com jogos de tabuleiro, tesoura e outros materiais escolares”.


Esses ambientes podem ser implementados em empresas e instituições de ensino para promover a possibilidade de aprender e desenvolver habilidades enquanto colaboradores e alunos criam. Para isso, um espaço maker precisa de equipamentos simples que possibilitem a produção, como ferramentas tradicionais, itens de plástico, tábuas de madeira, blocos de montar, entre outros.


Em alguns casos, os espaços maker possuem sucata e materiais recicláveis para criações de objetos sustentáveis, e ferramentas usadas em construções mais tecnológicas, como a de um robô, assim como exemplificado pelo fundador da “Make Magazine”.



Benefícios da cultura maker na aprendizagem


Modelos tradicionais de ensino ainda são os mais comuns, apesar de serem, muitas das vezes, a causa da desmotivação de crianças e adolescentes para estudar. A forma de aprendizagem da maioria das escolas ainda coloca o professor como centro e autoridade, enquanto os alunos precisam ouvir e aprender de maneira passiva.


Utilizar os conceitos do movimento maker no ensino traz benefícios para educadores e estudantes, já que promovem uma aprendizagem baseada na tentativa, em erros e acertos, o que estimula as capacidades socioemocionais, como, por exemplo, a resiliência. Com isso, colocar a mão na massa é uma forma de aprender, mas também de resolver desafios e buscar soluções práticas.


Além de desenvolver as habilidades citadas acima, existem muitos benefícios quando aplicamos a cultura maker na educação. Quando os alunos colocam a mão na massa, desenvolvem maior identificação com os conteúdos e vontade de aprender, afinal a teoria vira prática e o ato de produzir desenvolve a criatividade e os prepara para o futuro.


 

Como se tornar um educador inventor


Se você é professor e tem interesse em aprofundar os conhecimentos na cultura maker para implementá-la em suas aulas, promovendo uma aprendizagem significativa aos alunos, conheça os cursos “Cultura Maker & Aprendizagem Criativa” da plataforma OndeAprendo em parceria com a Escola de Inventor.


Ao todo, são 3 cursos de formação que fazem parte do ciclo de “Certificação Educador Inventor” para que você se torne um mentor e desafie seus alunos a colocarem a mão na massa, com técnicas de experimentação e aplicação.

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